Riscos de manter imóvel em nome de pessoa falecida: entenda porque regularizar é essencial
Riscos de manter imóvel em nome de pessoa falecida: entenda porque regularizar é essencial


Imóvel em nome de pessoa falecida: o que isso significa juridicamente?
Com o falecimento do proprietário, o imóvel passa automaticamente a integrar o espólio, que é o conjunto de bens deixados pela pessoa falecida. Portanto, conforme o Código Civil, até a conclusão do inventário e da partilha, não existe um novo proprietário legalmente reconhecido no registro de imóveis.
Dessa maneira, mesmo que os herdeiros utilizem o bem ou estejam de acordo entre si, o imóvel permanece irregular perante a lei, o que traz diversos riscos jurídicos.
Irregularidade no registro de imóveis
O principal risco de manter imóvel em nome de pessoa falecida é a irregularidade no registro imobiliário. O cartório continua apontando como proprietário alguém que já não existe juridicamente.
Os principais problemas causados pela falta de titular legítimo no registro são: a dificuldade de comprovar a propriedade e a fragilidade na defesa do imóvel em disputas judiciais, além da perda do valor de mercado.
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Impossibilidade de vender ou financiar o imóvel
Um dos maiores impactos práticos de manter imóvel em nome de pessoa falecida é a impossibilidade de venda. Cartórios de notas, bancos e demais instituições financeiras exigem que o imóvel esteja devidamente regularizado.
Na prática, isso significa:
Venda bloqueada
Impossibilidade de Financiamento
Negócios cancelados ou perdidos
Contratos particulares feitos sem inventário são juridicamente frágeis e podem ser anulados, gerando prejuízos tanto para herdeiros, quanto para compradores.
Conflitos entre herdeiros
A ausência de inventário costuma gerar conflitos familiares, especialmente quando envolve o uso do imóvel, aluguel ou pagamento de despesas. Isso ocorre pois, sem a partilha não há definição clara de direitos é um herdeiro pode se sentir prejudicado, levando a disputas judiciais prolongadas.
Com o passar do tempo, esses conflitos se intensificam, principalmente quando:
• Um herdeiro falece
• Surgem novos interessados
• Há divergência sobre a venda do bem
Na prática da advocacia sucessória, muitos inventários só são abertos quando o conflito já está instaurado, tornando o processo mais demorado e caro.
Multas, juros e aumento dos custos do inventário
O atraso na abertura do inventário não elimina custos. Pelo contrário, pode gerar:
• Multas e juros sobre o ITCMD
• Acúmulo de IPTU e taxas condominiais
• Inscrição do imóvel em dívida ativa
Logo, adiar a regularização não evita despesas, pois em muitos casos, os valores se tornam significativamente maiores.
Perda do imóvel
Entre os riscos mais graves, está a possibilidade de perda do imóvel, que pode ocorrer por:
• Usucapião de terceiros
• Penhora para pagamentos de dívidas do espólio
• Dificuldade de defesa judicial por falta de titularidade regular
Este é um risco concreto, que demonstra a importância de regularizar o imóvel o quanto antes.
Inventário: a solução jurídica para regularizar imóvel de pessoa falecida
A regularização do imóvel ocorre, necessariamente, por meio do inventário, procedimento jurídico destinado a formalizar a transmissão da propriedade aos herdeiros.
O inventário pode ser judicial, quando há herdeiros menores, incapazes ou conflitos entre os sucessores, ou extrajudicial, realizado em cartório quando preenchidos os requisitos legais e existente consenso entre os herdeiros, sempre com a assistência de um advogado especializado.
Para a conclusão do procedimento, é necessário o recolhimento do ITCMD e a quitação de eventuais débitos relacionados ao imóvel.
Após finalizado o inventário, é indispensável o registro da partilha no cartório de registro de imóveis, ato que efetivamente regulariza a propriedade e assegura segurança jurídica ao patrimônio.
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Conclusão: manter imóvel em nome de pessoa falecida é um risco desnecessário
Manter imóvel em nome de pessoa falecida expõe a família a riscos financeiros, jurídicos e patrimoniais evitáveis. A irregularidade no registro, a impossibilidade de venda, os conflitos entre herdeiros e o risco de perda do bem tornam a regularização indispensável.
A atuação de um advogado especializado em direito imobiliário é sucessões é fundamental para orientar sobre o melhor tipo de inventário e garantir segurança jurídica em todo o processo.
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